Desde 20 de Outubro até 7 de Fevereiro de 2010 está patente no Palácio de Versalhes a exposição em título, comissariada por Nicolas Milovanovic e Alexandre Maral, com cenografia de Giada Ricci. Pela primeira vez na sua história, Versalhes dedica uma exposição a Luís XIV, o Rei Sol: L'exposition Louis XIV, l'homme et le roi rassemble plus de 300 oeuvres exceptionnelles provenant de collections du monde entier, et jamais réunies jusqu’à aujourd’hui. Peintures, sculptures, objets d’art, mobilier seront ainsi exposés. Ces chefs-d’oeuvre, pour certains jamais présentés en France depuis l’Ancien Régime, permettront au public de mieux connaître le célèbre monarque tant par ses goûts personnels que par son image publique. http://www.chateauversailles.fr
Narra a história que Luís XIV pretendeu ser um Rei único, o que terá conseguido: aquando da sua morte um seu adversário rendeu-lhe homenagem dizendo: "Messieurs, le Roi est mort".
Elementos biográficos de Luís XIV:
Reinou de 1643 a 1715. Tinha cinco anos quando o seu pai morreu, tendo este escolhido para regente, durante a sua menoridade, a Rainha-mãe, Ana de Aústria. O verdadeiro reinado de Luís XIV começa com a morte do Cardeal Mazarino, tendo então triunfado em França o verdadeiro absolutismo monárquico: só o Rei reina e administra, poder absoluto em si mesmo e também em todos os domínios da governação pública, vida social, económica, cultural, religiosa, internacional. O Rei governa cercado de prestígio, glória e colaboradores que viriam também a ficar famosos na história (Colbert, Louvois, Vauban, entre outros).
O Palácio de Versalhes, que mandara construir, projectado para sua glorificação e para transmitir a imagem de França, vive obedecendo a um cerimonial complicado e a uma etiqueta rigorosa - Luís XIV estabelece rituais imutáveis nos quais ele próprio é o centro desse cerimonial, a "imagem viva da divindade" no dizer dos seus Colaboradores. Neste cenário, os mais nobres têm funções específicas - a nobreza, obedientemente, serve agora o Rei. Nas suas memórias, Luís XIV descreve seu conceito de etiqueta: Les peuples sur qui nous régnons, ne pouvant pénétrer le fond des choses, règlent d'ordinaire leur jugement sur ce qu'ils voient au dehors, et c'est le plus souvent sur les préséances et les rangs qu'ils mesurent leur respect et leur obéissance. As diferentes fases do dia são codificadas pela etiqueta real (aos interessados neste tema, aconselho a consulta desta página). A familiaridade do Rei Sol com artistas (poetas, músicos, pintores, arquitectos) não pára de surpreender até à actualidade, revelando claramente a sua paixão pela beleza. As artes industriais acompanham também o restante florescimento artístico: tapetes de Gobelin, louças de Sèvres. Nas letras destacam-se Corneille, Racine, Molière, Rochefoucauld, Madame de Sévigné, Madame de La Fayette. A língua torna-se um elemento fundamental na hegemonia cultural francesa, impondo-se a todos os que, durante séculos, aceitarão os seus cânones artísticos, modelos literários, arquitectura, usos e costumes.
Mais informação sobre a exposição, imperdível, em meu entender, aqui. Cristina Marques Fernandes